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as cinco melhores séries da sua vida

Dia desses um amigo meu lançou um desafio no Twitter: liste suas cinco séries favoritas da vida.

Enquanto a galera enchia a timeline de votos tão diversos quanto surpreendentes, para o bem e para o mal (como assim alguém elege “Gotham” como uma de suas séries favoritas?)  eu discutia no meu lindo grupo do WhatsApp de séries  o que significa, afinal, ser humano. Não, mentira, o que significa afinal uma lista de séries favoritas.


Minha lista logo de cara, sem pensar nada, foi composta por “Sopranos”, “The Wire”, “Veronica Mars”, “30 Rock”, “Arrested Development”.


Meu critério foi meio simples: séries impecáveis, que me fizeram aplaudir de pé,  com palmas lentas, o final de episódios e temporadas, que me fizeram rir até chorar, que tiveram temporadas perfeitas ou quase isso (para “Arrested Development” considero só as três primeiras, originais), personagens sensacionais, séries que eu queria que todo mundo assistisse.


Mas aí começamos a debater: as melhores séries, tecnicamente (?) falando, são necessariamente as séries da sua vida? As séries mais marcantes da vida precisam ser sempre muito boas e impecáveis? Uma série mediana que fala ao coração, empolga, tem um personagem que você ama de paixão: será que a gente tem vergonha de admitir que, sim, preferimos essa série a qualquer uma com 100 emmys na estante? Porque – sabemos - amamos séries que, depois de algumas temporadas sensacionais, começaram a ficar muito ruins, séries que foram boas só pela metade, mas a metade que foi boa foi boa demais. Séries que pecavam um pouco aqui ou ali mas emocionavam mais que qualquer uma. Será que entre essas não estão algumas das melhores séries da minha vida?


“Sopranos” e “The Wire” são impecáveis e maravilhosas e eu tenho vontade de rever mais umas cinco vezes cada uma, mas são tão melhores que, sei lá, “Will & Grace” e o tanto que esses personagens me fizeram rir? São melhores que “Alias”, que teve duas péssimas temporadas finais (alô, J.J., o que foi a Nadia?) mas antes disso teve três temporadas eletrizantes, viciantes, cheias de episódios incríveis e emocionantes?


Comecei a pensar se minha lista de 5 séries da vida não tinha que ter, por exemplo, “Grey’s Anatomy”, talvez a recordista de posts nos áureos tempos deste blog. “Grey’s”, pelo visto, não vai acabar nunca, já aconteceu um monte de absurdo com os personagens do Seattle Grace e faz uns anos que deixou de ser boa. Mas, quando era boa, era boa demais. Me fazia chorar (eu e uma multidão), fazia pensar na vida, dar risada, me fazia feliz. Sim, segunda-feira era um dia de felicidade na minha TV (numa longínqua era em que séries tinham dia para passar). E a trilha sonora, que trilha. E os diálogos. E as metáforas para a vida. Não seria “Grey’s Anatomy” uma das séries da minha vida?


E “Lost”, amigos? A série que traumatizou toda uma geração foi também a série que me fez escrever posts e mais posts, terminar amizades, brigar na internet (como é legal), participar de debates, de podcasts – e quanta diversão. Antes disso, antes de ter o pior final da história, antes de começar a se perder, lá pela quarta temporada, foi a série que revolucionou o jeito de ver e fazer TV, foi a série que mobilizou a internet lá no meio dos anos 2000, com seus mistérios e flashbacks e easter eggs e episódios cheios de suspense e os melhores finais. E eu adorei viver essa época. Não seria “Lost” uma das grandes séries da minha vida?


Onde está, eu me pergunto, “24 Horas” na minha lista, com o amor da minha vida, Jack Bauer? A série muito provavelmente não envelheceu bem (fui rever o primeiro episódio outro dia e achei tudo tão ruinzinho), mas pouca coisa na vida me fez ficar tão tensa e ansiosa como aqueles finais de episódio, a descoberta dos traidores na CTU, o sofrimento de Jack. Série boa é a que é boa para sempre ou a que é boa quando a gente vê e isso basta?


Onde está “Luther”? Onde está “River”? Onde está a belíssima “Big Little Lies”, que me fez chorar e bater palma ao terminar? Onde está “The Leftovers”? Ou série recém-terminada não pode entrar em lista porque precisa de um tempo para maturar? Precisamos de um olhar, hã, distanciado, será? Não basta eu ter ficado completamente obcecada com essa história nos últimos meses e ter amado até o fim?


Fora que, vamos ser honestos aqui, onde já se viu uma lista de melhores séries sem “Six Feet Under”, que merecia estar em qualquer lista por ter o melhor final de qualquer obra audiovisual já feita pela humanidade – embora tenha dado umas barrigadas pelo meio do caminho? Onde já se viu uma lista que não tenha “Friday Night Lights”? Vai dizer que “Gilmore Girls”, com seus altos e baixos todos e apesar da Rory, não merecia estar na lista da minha vida depois de tantos episódios deliciosos, depois de tantas vezes que me fez dar um abraço na televisão?

Para tudo. Cadê “House” nesta lista????? Desisto.

E cadê “Battlestar Galactica” na minha lista so say we all? Como eu vou explicar uma lista que não tenha “Friends”, Brasil, “Friends”, que eu vi lá nos anos 90 quando passava com um pouquinho de atraso na TV paga daqui e amava mais que tudo, como? É porque hoje já não empolga mais tanto? Também não saberia explicar a ausência de “Seinfeld” e as cenas mais engraçadas de todos os tempos, de “Community”, a série que talvez mais tenha me feito rir na história. Como assim só cabem cinco séries nesta lista? Como assim “Community” não entra entre essas cinco porque não foi perfeita e teve umas duas temporadas fraquinhas? E “Parks and Recreation”, só porque não terminou tão bem? Faço o que com meu Little Sebastian de pelúcia e minha caneca que imita o bigode do Ron, faço o que com minha camiseta de campanha  da Leslie?


Talvez a minha lista tivesse que ter “Boston Legal”, com seus personagens malucos, as inesquecíveis argumentações nos tribunais e as melhores conversinhas de final de episódio. Ou a linda “Studio 60”, cancelada tão cedinho, uma das séries mais bem escritas que eu já vi. Talvez “Anos Incríveis” ou “My So Called Life”, grandes séries que marcaram minha adolescência – sem dúvida estão entre as melhores séries que vi na vida.

Aliás, será que entre as cinco melhores séries que eu já vi não tinha que entrar “CSI”, melhor série de investigação ever, que acompanhei por anos e anos e anos a fio? Acho que tinha, hein. Ou “Law & Order: SVU”, que, não importa a temporada, se a gente começar a ver um episódio não consegue largar até terminar? Ou um “Law & Order: Criminal Intent” com o inigualável detetive Goren? E a maravilhosa “Damages”, omg?

Vou nem mencionar “Breaking Bad” ou “West Wing” porque senão vou ter que parar de escrever este post e ir no Twitter rever minha lista e fazer meu amigo recontar as séries.

Acho que, se tivesse que responder essa pergunta de novo agora, minhas cinco séries favoritas continuariam sendo “The Wire”, “Veronica Mars”, “Sopranos”, “30 Rock”, “Arrested Development”. Mas depois de falar as cinco eu sempre vou ter que acrescentar um “hm, pera, talvez não”.


A vida é muito difícil.

Fazer listas justas é impossível. Mas, já que estamos falando disso, quais são as cinco melhores séries da sua vida, leitor?


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